terça-feira, 27 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um prognóstico certeiro ("nunca de lá trazem a taça")

A terra onde nascemos é o centro do nosso mundo. US é o centro do meu mundo. Por adopção (plena), é também o mundo de pessoas tão distintas como a minha querida amiga Saphou. Ficamos tristes quando outros olham o nosso mundo de determinadas formas.

Do dia 31/05/2010, durante o telejornal de uma estação televisiva, um jornalista começou uma pequena reportagem da seguinte forma:

“/…/num ambiente rural, diferente daquilo a que os jogadores estão habituados, nesta altura os jogadores da selecção nacional colocaram a Serra da Estrela, neste caso Unhais da Serra, na rota da preparação para o campeonato do mundo, porque passaram aqui umas horas, vão continuar a passar /…/. Para já, vamos conferir este ambiente absolutamente insólito em relação àquilo que estamos habituados a ver, perto do hotel onde está instalada a Selecção, normalmente são adeptos de bandeira e cachecol, aqui são três pastores vizinhos deste hotel, que nesta altura estão aqui junto ao hotel onde está a selecção nacional, eu vou falar com eles, muito boa tarde, estamos aqui em directo, antes de mais empreste-me o seu cajado senão vamos aqui pela ribeira a baixo, até à ribeira.”.

Seria até estultícia comentar o cenário primeiramente escolhido para demonstrar o alegado “ambiente rural” e o espírito subjacente a essa pequena reportagem, de tão notórios que eles são. Em todo o caso, temos de dar os parabéns ao último entrevistado (CG), quer pelo seu prognóstico, quer pela sua tirada final:

“Eu acho que eles que nunca de lá trazem a taça”, prognostica o CG.

“Não vai amanhã, não vai amanhã a ver o futebol, depois de amanhã”? Pergunta o jornalista.

“Se você me arranjar o bilhete”, responde o CG.

Brilhante resposta. Para ficar ainda mais “composta”, o CG deveria ainda impor outra condição ao Sr. Jornalista: que este lhe ficasse a guardar o gado enquanto ele ia assistir ao jogo. Tão afeiçoado que ele já estava ao “cajado”, não lhe custaria nada.

sábado, 26 de junho de 2010

Nasci – Logo a Meus Pais Custou Dinheiro…

Filinto Elísio (pseudónimo de Francisco Manuel do Nascimento, 1734-1819, que foi padre sem vocação e um dos mais importantes poetas do Neoclassicismo português) escreveu este poema, que Luís Cilia adaptou e musicou (se querem ouvir o resto, procurem o vinil porque não foi editado em CD), pleno de actualidade:
Nasci - logo a meus pais custou dinheiro
o baptismo, que Deus nos dá de graça.
Tive uso de razão - perdi a graça -
dei-me ao rol - chegou a Páscoa - dei dinheiro.
Quis casar com uma moça - mais dinheiro.
Brinquei com ela - não brinquei de graça:
que aos nove meses me custou a graça
para o Mergulhador capa e dinheiro.
Morreu minha mulher - não lhe achei graça
e menos graça no arbitral dinheiro
da oferta; que o prior não vai de graça.
Se o ser cristão requer sempre dinheiro,
como cumprem com dar graças de graça
os que as graças nos vendem por dinheiro?



terça-feira, 22 de junho de 2010

PATXI ANDIÓN- COMPAÑERA

Para ti e para a Tua Companheira. Queria tanto voltar a vê-la! Queria voltar a jogar com ela ao "burro esperto", ainda que fosse como da última vez.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Famel

Quero uma mota, dizia ela.
Eu dou-te a minha, respondia eu.
Não quero, os meus colegas iriam fazer troça de mim, retorquía ela.
Mas quem é que poderá fazer troça de uma preciosidade destas?! pergunto eu.

sábado, 29 de maio de 2010

Um verdadeiro animal feroz


Quando o encontrámos era tão pequenino e estava tão mal nutrido que nunca pensámos que sobrevivesse. Tempos depois, graças aos bons tratos e à companhia, estava transformado num verdadeiro animal feroz.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Alerta: o IRS não é um imposto de formação sucessiva!

 
Em recente entrevista ao «Correio da Manhã», o Exmº Senhor Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) referiu designadamente o seguinte: «Ora bem. O IRS é um imposto de formação sucessiva. Isto é, abre o ciclo no dia 1 de Janeiro e fecha-se este ciclo no dia 31 de Dezembro. E é no termo do ciclo que o cidadão vai às finanças fazer o seu enquadramento fiscal com o quadro em vigor em 31 de Dezembro». (o negrito e o sublinhado são nossos)
Costuma-se dizer que quando um aluno diz uma asneira, é mesmo uma asneira. Se o mesmo que o aluno diz for dito por um licenciado, já é uma opinião. E se a mesmíssima coisa for dita por um doutorado, então já se trata de uma douta opinião.
Segundo essa teoria, a razão de ciência do autor confere automática e potestativa correcção a tudo a todas as suas afirmações.
Como é óbvio, isto é um erro. Uma asneira tem a mesma natureza, seja ela dita por um aluno ou por um professor catedrático. Já o significado e as repercussões dessa asneira serão tanto maiores quanto maior for a autoridade de quem a tenha proferido.
Ora, ao referir que «o IRS é um imposto de formação sucessiva», o Exmº Senhor Bastonário da OTOC cometeu um erro, com o significado e alcance que decorrem das competências e atribuições inerentes ao cargo que ocupa.
Como é bom de ver, não é o IRS (ou qualquer outro imposto periódico) que é de formação sucessiva, mas sim o facto tributário desse imposto. Isto, a não ser que o Exmº Senhor Bastonário da OTOC tivesse pretendido significar que o IRS, por tantas vezes já ter sido alterado desde que entrou em vigor, é de formação sucessiva. Só que, se o critério fosse esse, então todos os impostos, uns mais outros menos, seriam de formação sucessiva (!!!).
Estamos certos de que se tratou de um lapso, o qual só tem significado por ter sido cometido por quem foi, e por ter sido bastante divulgado pela imprensa.
É que se tivesse sido um aluno a dizer que «o IRS é um imposto de formação sucessiva», seria desculpado, v.g., pela falta de estudo e por estar a aprender; se tivesse sido um recém-licenciado, a desculpa de Bolonha serviria às mil maravilhas. Agora sendo o Exmº Senhor Bastonário da OTOC a dizer o que disse, os efeitos de tal erro são muito mais gravosos, pois corremos até o risco de quem o tenha ouvido passar também a dizer que «o IRS é um imposto de formação sucessiva», fiado na autoridade e na ciência do Exmº Senhor Bastonário da OTOC.