“É importante que eu durma bem, senão não fazia bem o meu trabalho”, respondeu o Ministro das Finanças quando o “Expresso” lhe perguntou se dormia bem. Creio que a questão de dormir bem tem muito mais a ver com a capacidade de cada um se abstrair dos problemas, do que com uma questão de consciência. Se assim não fosse, não vejo como é que o Ministro das Finanças poderia dormir (e, muito menos, dormir bem) sabendo, por exemplo, que há milhares e milhares de contribuintes violentados, v.g., com a liquidação e com a cobrança ilegais de impostos (como decorre do facto de a maioria das acções intentadas pelos contribuintes contra o Estado ser julgada procedente nas instâncias judiciais – o que assume especial gravidade se levarmos em conta que só chegam aos tribunais os casos dos contribuintes que têm um mínimo de recursos financeiros), bem como da incorrecta aplicação que o Estado tem dado ao produto de uma parte das receitas que tem cobrado. Ora, sem se abstrair dessas e de outras injustiças, creio que só um ministro das finanças muito “dorminhoco” conseguiria dormir bem.
Eu diria que não é uma questão de consciência mas sim da falta dela.
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