Numa entrevista publicada
na Revista do Expresso (29/12/2012), Nuno Morais Sarmento (que já foi ministro,
e que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a apontar como alguém que poderia
substituir o ex-ministro Miguel Relvas), à pergunta sobre o “porquê” de ter aceitado
“ser advogado do espião Jorge Silva Carvalho”, respondeu o que passo a
transcrever:
“Conheci
o dr. Jorge Silva Carvalho por acaso. Na véspera da saída de uma manchete no
Expresso, sobre Bernardo Bairrão Na TVI e a formação do governo, a Rita Marques
Guedes, de quem sou amigo, que trabalhou comigo e que estava na direcção da
Ongoing, pediu-me se podia ajudar, porque os decisores da Ongoing não estavam e
sabiam da manchete. Estava tudo numa confusão. Nesta reunião estava o dr. Silva
Carvalho, que me pergunta se, se aquilo se complicasse ele precisasse de
representação como advogado, eu aceitaria. Ainda não existiam manchetes sobre
secretas e maçonaria e eu desconhecia essas dimensões. Respondi que tinha que
tinha de ver os conflitos de interesses no escritório antes de garantir o apoio
jurídico. Três meses depois, com a procissão na estrada, disse-lhe que não era
da Maçonaria e não tinha simpatia pela Maçonaria, disse-lhe que não era dos serviços
secretos, com os quais mantinha saudável distância, e não era da Ongoing nem
conhecido por me identificar muito com a Ongoing e os responsáveis. Porque é
que ele me queria como advogado? Respondeu-me que era precisamente porque não
encontraria cinco pessoas em Portugal que pudessem dizer o mesmo que eu”.
Por conseguinte, nos
precisos termos que constam nesse trecho, Nuno Morais Sarmento alega ter sido
escolhido por Jorge Silva Carvalho como seu advogado porque, tendo comunicado a
este
a) que “não era da Maçonaria”,
b) que “não tinha simpatia pela Maçonaria”,
c) que “não era dos serviços secretos, com os quais mantinha saudável
distância”, e
d) que “não era da Ongoing nem conhecido por” se “identificar muito com
a Ongoing e os responsáveis”,
Jorge Silva Carvalho lhe
respondeu “que era precisamente porque não encontraria cinco pessoas em
Portugal que pudessem dizer o mesmo que” ele (Nuno Morais Sarmento).
Ora, conhecendo eu centenas
de advogados, não conheço pessoalmente nenhum que seja da maçonaria, que tenha
simpatia pela maçonaria, que seja dos serviços secretos, e que seja conhecido
por se identificar com a “Ongoing” ou com os seus responsáveis. Para além
disso, verdade se diga, também não conheço pessoalmente nenhum advogado que,
numa entrevista a um órgão de comunicação social, fosse capaz de dizer as
razões pelas quais algum cliente o quis como advogado.
Que vivências tão
diferentes!
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