Morreu o Carlos Pinto, meu vizinho de infância. Tinha 46 anos e a sua morte foi completamente inesperada.
Conhecia-o desde o ponto mais remoto que a minha memória alcança. Nessa altura, como os pais não tinham onde deixar os filhos quando iam para as suas lides diárias (trabalho na fábrica de lanifícios ou na agricultura), fechavam-nos numa das divisões da casa. Geralmente, numa sala com janela virada para a rua. Era o que sucedia comigo. Porém, graças à confiança granjeada junto dos nossos progenitores e a promessa (não cumprida, evidentemente) de que não sairíamos de casa, as portas ficavam quase sempre abertas. Nesses “jardins de infância”, as janelas eram o recreio onde encontrávamos sempre um vizinho para conversar. E, assim, passei horas e horas à conversa com ele e com o irmão, o Fernando. Os dois ajudaram a que eu, com 8 anos de idade, me tivesse transferido do Benfica para o Sporting.
Quando vínhamos para a rua (mais concretamente, para a EN 230) jogar a bola, o Carlos fazia equipa comigo contra o Fernando, que era 3 anos mais velho do que o Carlos e 1 ano mais velho do que eu. Eu e o Carlos ganhávamos quase sempre (só por sermos dois, porque o Fernando era o melhor jogador). Um dia, quando acabava de marcar um golo na baliza que ficava do outro lado da estrada, fui atropelado por um carro. Lá fui levado ao colo por uma vizinha (a Fernanda) até à casa do Ti Zé Barrocas, que tinha sido barbeiro até à data em que foi acometido por doença que o impediu de exercer a profissão. Em dois minutos estava feito o diagnóstico: não tinha nada partido, e ao fim de dois dias estaria bom. Assim sucedeu.
Conhecia-o desde o ponto mais remoto que a minha memória alcança. Nessa altura, como os pais não tinham onde deixar os filhos quando iam para as suas lides diárias (trabalho na fábrica de lanifícios ou na agricultura), fechavam-nos numa das divisões da casa. Geralmente, numa sala com janela virada para a rua. Era o que sucedia comigo. Porém, graças à confiança granjeada junto dos nossos progenitores e a promessa (não cumprida, evidentemente) de que não sairíamos de casa, as portas ficavam quase sempre abertas. Nesses “jardins de infância”, as janelas eram o recreio onde encontrávamos sempre um vizinho para conversar. E, assim, passei horas e horas à conversa com ele e com o irmão, o Fernando. Os dois ajudaram a que eu, com 8 anos de idade, me tivesse transferido do Benfica para o Sporting.
Quando vínhamos para a rua (mais concretamente, para a EN 230) jogar a bola, o Carlos fazia equipa comigo contra o Fernando, que era 3 anos mais velho do que o Carlos e 1 ano mais velho do que eu. Eu e o Carlos ganhávamos quase sempre (só por sermos dois, porque o Fernando era o melhor jogador). Um dia, quando acabava de marcar um golo na baliza que ficava do outro lado da estrada, fui atropelado por um carro. Lá fui levado ao colo por uma vizinha (a Fernanda) até à casa do Ti Zé Barrocas, que tinha sido barbeiro até à data em que foi acometido por doença que o impediu de exercer a profissão. Em dois minutos estava feito o diagnóstico: não tinha nada partido, e ao fim de dois dias estaria bom. Assim sucedeu.
A última vez que vi o Carlos foi em US, junto à fogueira de Natal. Os nossos destinos tinham-se separado havia muitos anos. Ele ficou a viver sempre em US, e eu fui vivendo aqui e ali. Nunca conheci ninguém que começasse a namorar tão cedo. Quando chegou a idade, casou com a sua namorada de sempre e viveram felizes até que a morte os separou. Não. Acho que eles são dos que acreditam que há vida para além da morte, e, por isso, vão continuar juntos. Quando tinha 12-13 anos, descobrimos que o Carlos, quando passava à porta da namorada, assobiava uma música que tocava a Banda Filarmónica de US, de que ele fazia parte. Então, a namorada vinha à janela e trocavam breves palavras. Claro que todos os que sabiam desse “truque”, até para saberem se o mesmo resultava, ao passarem à porta da namorada do Carlos assobiavam uma música da Banda Filarmónica de US.
Até um dia. Quando nos encontrarmos, espero conseguir convencer-te, com provas e argumentos racionais, a mudares para o clube do Manel, o filho da Ti Prazeres (que era o único adepto do FCP que eu conhecia em US).
Até um dia. Quando nos encontrarmos, espero conseguir convencer-te, com provas e argumentos racionais, a mudares para o clube do Manel, o filho da Ti Prazeres (que era o único adepto do FCP que eu conhecia em US).
Está ver devemos fazer as coisas hoje, certamente se o tivesse convencido mais cedo, agora teria uma recepção azul no olimpio.
ResponderEliminarta boa
Nessa altura, como os pais não tinham onde deixar os filhos quando iam para as suas lides diárias (trabalho na fábrica de lanifícios ou na agricultura), fechavam-nos numa das divisões da casa. Geralmente, numa sala com janela virada para a rua. Era o que sucedia comigo.
ResponderEliminarCaramba, Jama! Estamos a ficar nostálgicos em simultâneo ou anda a espreitar o Quadratura e não diz nada?
Quero uma homenagem destas. Jama, dê-me a sua camisola, desde que azul e branca!
ResponderEliminarPrivada, Olimpo, homem! Olimpio Castilho trata apenas dos enterros. Continuas a precisar de alguém que te edite. Moi.
Nos padrecos já todos conhecem US e a sua equipa, mais o SPA, só ainda não mencionai Hércules e os assafões.
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ResponderEliminar:-))))))) podias continuar, minha venus.
ResponderEliminarDe facto, tbm achei ke Jama andava com uam especie de telepatia cm a Bli
Descobri por acaso este blog e quis o acaso que falasse no Carlos,adorei aquilo que li,achei bonito,muito bonito.....mandei á irmã que chorou e mostrou aos pais...
ResponderEliminarObrigado eles tambem gostaram.
É bom saber que aqueles de quem gostamos deixam,deixaram marcas nas vidas...dos amigos.
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ResponderEliminarnanda, Juan Gelman, um poeta, jornalista e tradutor nascido na argentina, em entrevista à "Revista Única" do jornal "Expresso" do último sábado (15/05/2010), dizia "que a verdadeira pátria é a infância. Aí está tudo: a língua, a família...". Concordo inteiramente. E então, para quem tem uma memória como a do Funes, a pátria é imensa. Não esperava que o este post fosse lido por alguém que conhecesse o Carlos. Ainda bem que bons olhos o leram.
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