Naquele dia de princípios de Agosto, Coimbra estava deserta de estudantes. Tinham ido todos de férias. Todos, não. Uma meia dúzia de repúblicos tinham de ficar mais uns dias para, com a ajuda do pai de um deles, que era carpinteiro, arranjarem o telhado que, como dizia o autocolante que iam vendendo para arranjar fundos para o efeito, estava por um fio.
No final do dia, como as cantinas já estavam fechadas, foram procurar pasto numa tasca baratinha da Baixa. Depois de comerem bem e beberem melhor, tiveram pela primeira vez coragem para olhar para as senhoras que todos os dias estavam encostadas a uma montra de uma loja que vendia frutos secos. Um deles perguntou aos outros: “quem é que sabe como é que se engata uma gaja destas?” Ninguém sabia e todos queriam saber. Colocaram-se então a uma distância adequada a que pudessem escutar os termos em que era feita a abordagem a essas senhoras. Demorou pouco até que chegasse um interessado. Era um jovem dos seus 20 anos, e, depois de trocar umas palavras em tom de murmúrio com uma das senhoras, seguiu-a em passo apreçado. Os “espectadores” deram-se então conta que, apesar da curta distância, não conseguiriam ouvir o que pretendiam. Então, aquele a quem o vinho tinha feito melhor, arrancou do pé os demais e, dirigindo-se a uma delas, segredou-lhe quase ao ouvido: “ó minha senhora, precisava de lhe dar um recado?”. Ela, toda desenvolta, respondeu-lhe: “então freguês! é exactamente como na semana passada, 500 no carro e 700 na pensão”. Sem perder a compostura e sentindo que já dominava a situação, o atrevido disse-lhe: “– Ó! Então e por ser freguês não me faz um desconto? Sabe que o dinheiro não dá para tudo e eu, tal como na semana passada, continuo a não ter carro”. Mas ela respondeu-lhe: “Olhe, se não tem dinheiro vá arranjá-lo, porque aqui ninguém lhe faz mais barato; nós estamos todas combinadas”. Estupefactos com a flagrante e grosseira violação das leis da concorrência que essa propalada concertação de preços consubstanciava, e ninguém dispondo de carro ou de outros desejos que não tivessem sido já satisfeitos com aquela "abordagem," lá foram todos para a cervejaria mais próxima fazer chacota do que tinha sido tratado como o “freguês” pela referida Senhora e que já não se lembrava do preço da semana anterior.
No final do dia, como as cantinas já estavam fechadas, foram procurar pasto numa tasca baratinha da Baixa. Depois de comerem bem e beberem melhor, tiveram pela primeira vez coragem para olhar para as senhoras que todos os dias estavam encostadas a uma montra de uma loja que vendia frutos secos. Um deles perguntou aos outros: “quem é que sabe como é que se engata uma gaja destas?” Ninguém sabia e todos queriam saber. Colocaram-se então a uma distância adequada a que pudessem escutar os termos em que era feita a abordagem a essas senhoras. Demorou pouco até que chegasse um interessado. Era um jovem dos seus 20 anos, e, depois de trocar umas palavras em tom de murmúrio com uma das senhoras, seguiu-a em passo apreçado. Os “espectadores” deram-se então conta que, apesar da curta distância, não conseguiriam ouvir o que pretendiam. Então, aquele a quem o vinho tinha feito melhor, arrancou do pé os demais e, dirigindo-se a uma delas, segredou-lhe quase ao ouvido: “ó minha senhora, precisava de lhe dar um recado?”. Ela, toda desenvolta, respondeu-lhe: “então freguês! é exactamente como na semana passada, 500 no carro e 700 na pensão”. Sem perder a compostura e sentindo que já dominava a situação, o atrevido disse-lhe: “– Ó! Então e por ser freguês não me faz um desconto? Sabe que o dinheiro não dá para tudo e eu, tal como na semana passada, continuo a não ter carro”. Mas ela respondeu-lhe: “Olhe, se não tem dinheiro vá arranjá-lo, porque aqui ninguém lhe faz mais barato; nós estamos todas combinadas”. Estupefactos com a flagrante e grosseira violação das leis da concorrência que essa propalada concertação de preços consubstanciava, e ninguém dispondo de carro ou de outros desejos que não tivessem sido já satisfeitos com aquela "abordagem," lá foram todos para a cervejaria mais próxima fazer chacota do que tinha sido tratado como o “freguês” pela referida Senhora e que já não se lembrava do preço da semana anterior.
E não seria caso para denunciar esse cartel à Autoridade da Concorrência?
ResponderEliminarNão se tratando de gasolineiras ou da PT, estou em crer que as senhoras seriam bravamente acoimadas. E em tempo, que nestes casos não há que facilitar as prescrições.
Nessa altura, ainda não tínhamos aderido à CEE. As leis da concorrência não eram o que são hoje. E também não havia Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
ResponderEliminarE a existir o SEF naquela altura seria para quê, Jama? Para as recambiar para Fornos de Algodres?
ResponderEliminarEntão Doutor? Ainda agora começou e já se acabou?
ResponderEliminarNão vê que Jama trabalha minha jovem?
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