sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um bom investimento

Naquele domingo, em Genebra, estava tudo a correr-me mesmo bem. Acabara de descobrir um investimento que fazia rentabilizar rapidamente as minhas poupanças: um parquímetro. Por cada moeda de 10 cêntimos que nele introduzia, bastava carregar na tecla verde para ver os resultados do investimento: entre 1 e 2 francos. Não tinham ainda passado 5 minutos desde que eu começara a investir, quando fui arrecadado para dentro de um carro da polícia por dois polícias pouco faladores. Pensava que fosse por causa de esse investimento ser fora do mercado corrente, mas não. Segundo eles, era só para ir dar “un petit tour”. Levaram-me até à porta de um prédio, onde uma velhinha nos esperava. Fui-lhe mostrado pelos dois polícias. Ela olhou para mim e, com a cabeça, fez um sinal de negação, ao mesmo tempo que ia dizendo que nunca me tinha visto. Os polícias mandaram-me seguir o meu caminho. Aí é que a coisa se complicou. Por recear, fundadamente, já não conseguir encontrar o tal parquímetro, reivindiquei, insistentemente, junto dos dois polícias o direito de ser colocado exactamente no mesmo sítio onde me encontrava antes de eles me terem removido. Não consegui fazer valer os meus direitos, nem mesmo depois de dizer aos polícias que, por ser amigo de uns exilados polacos, tinha os mesmos direitos que eles, com excepção do subsídio. Mas eles limitaram-se a responder que eram só umas centenas de metros até ao sítio onde me tinham apanhado. Seriam, de facto, umas centenas de metros. Mas o suficiente para, como eu suspeitava, nunca mais ter dado com o sítio onde estava aquele parquímetro que tão bem sabia rentabilizar os investimentos. Se eu fosse uma pessoa gostasse de brigas, tinha pedido ao Estado em questão uma indemnização fundada em lucros cessantes. Mas fiquei-me. O que lá vai, lá vai.

3 comentários:

  1. Esta a "lição de investimento" foi sabiamente tansmitida a duas crianças que incredulas viam sair dinheiro de uma maquina em vez de bebidas... e por vezes as duas coisas.
    Tinham descoberto a "arvore das patacas"!!!! e desde então sempre quer surge oportunidade utilizam essa tecnica!!!!

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  2. É mentira, é mentira, e é mentira. O anónimo é um mentiroso.

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  3. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades..."
    Agora, se fosse preciso contactava o responsável pela máquina para lhe devolver o dinheiro...emfim...

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