Para mal de todos os portugueses,
temos em Portugal uma esquerda que não tem a riqueza de ideias de que o país
necessita, e, talvez por isso, os resultados eleitorais têm sido aqueles que
sabemos. Assim, apesar de oportunidades não faltarem, continuamos a verificar
que, em termos eleitorais, os partidos de esquerda não se aproximam dos
partidos do chamado "arco governativo" (PS e PSD). A recente proposta
de resolução do PCP de acabar com os anúncios de cariz sexual na imprensa
escrita (http://www1.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=92124),
não deixa de surpreender. É que, com questões tão importantes para resolver, bem
poderiam deixar esse assunto para outra ocasião. Como dizia um amigo meu, se
estão empenhados no bem comum, porque é que não apresentam antes um projecto de
lei que tenha por objecto a criação de um imposto destinado a tributar os
proventos decorrentes do exercício dessa actividade? Será que receiam que
tal equivaleria, por parte do Estado, ao reconhecimento do exercício dessa
actividade? Deixem-se de moralismos exacerbados, e tributem os proventos dessa
actividade. Porém, como admito que possa demorar algum tempo a elaborar e
apresentar um projecto de lei nesse sentido (pelas minhas contas, com uma
equipa de 2 pessoas que percebam do assunto, cerca de dois meses), começaria
por um projecto de lei que tivesse por objecto a tributação de anúncios de
cariz sexual na imprensa escrita. Esse imposto, que se designaria por Imposto
Sobre Publicidade de Cariz Sexual (IPCAS), teria como incidência real ou
objectiva todos os anúncios de cariz sexual publicados na imprensa escrita, e,
como incidência pessoal ou subjectiva, os donos dos meios de comunicação social
em que esses anúncios fossem publicados. Estes ficariam obrigados, através do
mecanismo da substituição fiscal, a liquidar e cobrar dos respectivos
anunciantes, a título de IPCAS, €50,00 por cada anúncio, desde que este
contivesse no máximo 100 caracteres, e €100,00 sempre que o anúncio
ultrapassasse esse número de caracteres, ou contivesse qualquer tipo de
imagens. Com esta medida, o Estado, para além de aumentar a receita fiscal,
conseguiria um elemento informativo importante para, pouco tempo depois, poder
tributar os rendimentos decorrentes do exercício dessa actividade. É que, se o
anunciante tem disponibilidades financeiras que lhe permitam pagar diariamente
€100,00 por cada anúncio, não pode depois vir dizer que ganha menos do que isso
por dia. Criem, pois, um imposto que tribute os anúncios de cariz sexual, e
deixem-se de moralismos que nada resolvem.
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