Na época de 1981/1982, o FCE
desceu de divisão, apesar de, a meio dessa época, ter passado a contar com dois
jogadores "de fora" (no sentido de que não eram de US) de muita
qualidade: o Fazenda e o Juanito. Eram os únicos jogadores do plantel que eram remunerados.
Todavia, eles só foram admitidos na equipa depois de terem sido ouvidos todos
os jogadores (numa reunião no “saudoso” parque infantil). Era uma Direcção
democrática, e, sendo o treinador uma pessoa muito responsável, justa e
honesta, logo fez questão de esclarecer que só aceitaria que aqueles dois
jogadores viessem a integrar o plantel, se a maioria dos jogadores que dele já
faziam parte assim o entendesse. Fui o único a votar contra a contratação desses
dois jogadores, pelas razões que então expus, e que, em suma, foram as
seguintes. Perguntei à Direcção porque não tínhamos iluminação bastante para
treinarmos à noite na totalidade do campo (só tínhamos iluminação na parte Sul,
e, ainda assim, bastante deficiente, com apenas um holofote em cada poste), e
responderam-me que era por falta de dinheiro. Perguntei então quanto custariam
os novos jogadores, e, depois de verificar que o iríamos pagar a esses
jogadores era equivalente ao valor do custo da iluminação (cerca de 25 contos),
e não estava garantido que a contratação desses jogadores assegurasse a
manutenção do FCE na 1ª divisão do distrital, votei contra. No entanto, aceitei
e respeitei a vontade da esmagadora maioria. No final da época descemos mesmo
de divisão (chegámos a perder com o Sertanense em casa por 4-5, depois de, ao
intervalo, termos estado a ganhar por 4-0!). O Tony Quintela disse-me então que
eu tinha razão, pois deveríamos ter gastado o dinheiro na iluminação. Mas não!
O prazer de termos jogado com aqueles dois grandes jogadores (sobretudo com o
Fazenda, que tinha sido um dos melhores jogadores do SCC na década de 70),
superou bem um ou dois anos de atraso na iluminação. Agradeço, pois, a todos os
meus colegas que, nessa votação, olharam a realidade de uma forma colorida e
emotiva, e não da forma racional e cinzenta (quiçá realista, infelizmente) como
eu a representei, e deram a todos a alegria de termos jogado, na mesma equipa,
com aqueles dois grandes jogadores. Aliás, − e lá vem a desculpa habitual!!! −
todos sabemos que só descemos de divisão porque, a meio da época, ficámos sem o
Manuel Fernandes, que (tal como já sucedera com o Jorge, com o Eugénio, com o Américo Barrau e com o
João Lagos) emigrou para a Suíça. No dia em que o Manuel, no carro do Jorge, seguia
para a Suíça, fui com eles, de boleia, de US até à Covilhã. Quando me despedi
do Manuel, as palavras dele foram estas: “vejam lá, não deixem descer a
equipa”. Mas, infelizmente, nem com a ajuda daqueles dois jogadores “de fora”
conseguimos evitar a descida. Fico grato a quem guardou e publicou a fotografia
supra no facebook, e a quem nela me identificou. Como não vejo grande
parte daqueles que nela estão retractados desde a altura em que a mesma foi
tirada, é bom olhar para ela e sentir que o tempo não passou, e que a única
coisa que a todos preocupa é que, na próxima época, temos de subir de divisão,
e, como é óbvio, sem jogadores “de fora”!

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