domingo, 19 de maio de 2013

E lá vamos nós mudar de governo (outra vez!)

Poiares Maduro, Ministro-adjunto do primeiro-ministro e do Desenvolvimento Regional, na entrevista publicada na edição do “Expresso” de 18/05/2013, refere que encomendou “um estudo ao professor Ricardo Reis, da Universidade de Columbia, sobre como desenvolver uma política de informação com os cidadãos em matérias tão complexas como as que hoje” alegadamente “nos mobilizam”. Agora sim, estamos entregues! Então até um estudo desses é encomendado a um professor de uma universidade estrangeira!? Não chegava já o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia e o próprio Poiares Maduro virem de instituições externas directamente para o Governo, para agora até ser encomendado a um professor de uma universidade estrangeira um “estudo sobre como desenvolver uma política de informação com os cidadãos”!?
Quando, no primeiro ano de vigência do programa ERASMUS em Portugal, requeri à universidade portuguesa onde me tinha licenciado a equivalência (que, de resto, era de lei) às disciplinas a que obtivesse aprovação na universidade que iria frequentar ao abrigo do programa ERASMUS, um professor pronunciou-se favoravelmente ao requerido, mas numa condição: obter também na universidade de origem (a portuguesa) aprovação às disciplinas a que obtivesse na universidade de destino (a estrangeira). Nessa época, em que os portugueses mandavam em Portugal mais do que os estrangeiros, muitas universidades portuguesas nem sequer reconheciam os graus académicos obtidos no estrangeiro, ainda que as universidades que os tivessem conferido tivessem sido classificadas no primeiro lugar de todo e qualquer ranking! Por vezes de forma injusta, os titulares de graus académicos conferidos por universidades portuguesas olhavam de soslaio para aqueles que, sendo portugueses, tinham obtido um qualquer grau académico no estrangeiro. Achavam que eles só tinham ido para o estrangeiro por o ensino aí ser mais facilitado, ou então por não terem conseguido (ou querido) competir com os que por cá ficavam. Desde essa altura, como as coisas mudaram! Agora, mesmo havendo centenas de professores nas universidades portuguesas capazes de fazerem o aludido estudo (e, por certo, com muito melhor conhecimento directo da vivência dos portugueses), entrega-se a sua feitura a um professor de uma universidade estrangeira!
Infelizmente, este governo está a ter cada vez mais semelhanças com os últimos tempos de um governo a que se sucedeu uma maioria absoluta do PS. Não sendo Seguro pior que Sócrates, o CDS já percebeu que, se romper já com a coligação (e, de preferência, alegando como causa dessa ruptura algo que renda votos), ainda poderá impedir uma nova maioria absoluta do PS, e, dessa forma, continuar no governo (seja ele qual for). Se, como diz o Victor Oliveira (treinador do F.C. de Arouca), “a gestão de Excel não funciona no futebol”, está visto que também não funciona na gestão política do país. Sem jeito para gerir, nada feito. E, por isso, creio que nem os santos vão evitar uma mudança de governo, muito em breve.
 

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