terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estranho conforto

Numa longa entrevista publicada na edição de 05/11/2010 do jornal “Negócios”, Henrique Neto referiu designadamente o seguinte:

- “Sempre tive horror às palavras que dizem coisas demais. As palavras têm que dizer aquilo [que são], não pode haver interpretações na minha cabeça. Detesto escritores [como] o Lobo Antunes, detesto, se aquilo é um escritor. Porque diz o que lhe passa pela mona, lemos páginas e páginas sem saber o que é que ele quer dizer”.

Partilho da opinião de Henrique Neto. É que, tendo, por diversas vezes, tentado ler alguns dos livros da autoria de António Lobo Antunes, nunca consegui sequer chegar a meio de nenhum deles. Não percebo o que ele diz. Do livro recentemente publicado (“Sôbolos Rios Que Vão”), apesar de, através de vários artigos que li sobre ele, até pensar que conhecia o essencial da história, não consegui, ainda assim, perceber o que está escrito nas cerca de 30 páginas que li. E eu que pensava que, depois de ter lido e percebido grande parte da matéria da famosa “Sebenta Velha”, conseguiria perceber qualquer escrita! Bem me enganei. Mas, se até quem, como Henrique Neto, que percebe de tantas coisas (v.g., de políticos e de políticas) não consegue perceber o que escreve António Lobo Antunes, sinto-me muito mais confortado. Mas que estranho conforto!

domingo, 7 de novembro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

A importância de dormir bem

“É importante que eu durma bem, senão não fazia bem o meu trabalho”, respondeu o Ministro das Finanças quando o “Expresso” lhe perguntou se dormia bem. Creio que a questão de dormir bem tem muito mais a ver com a capacidade de cada um se abstrair dos problemas, do que com uma questão de consciência. Se assim não fosse, não vejo como é que o Ministro das Finanças poderia dormir (e, muito menos, dormir bem) sabendo, por exemplo, que há milhares e milhares de contribuintes violentados, v.g., com a liquidação e com a cobrança ilegais de impostos (como decorre do facto de a maioria das acções intentadas pelos contribuintes contra o Estado ser julgada procedente nas instâncias judiciais – o que assume especial gravidade se levarmos em conta que só chegam aos tribunais os casos dos contribuintes que têm um mínimo de recursos financeiros), bem como da incorrecta aplicação que o Estado tem dado ao produto de uma parte das receitas que tem cobrado. Ora, sem se abstrair dessas e de outras injustiças, creio que só um ministro das finanças muito “dorminhoco” conseguiria dormir bem.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010