Numa longa entrevista publicada na edição de 05/11/2010 do jornal “Negócios”, Henrique Neto referiu designadamente o seguinte:
- “Sempre tive horror às palavras que dizem coisas demais. As palavras têm que dizer aquilo [que são], não pode haver interpretações na minha cabeça. Detesto escritores [como] o Lobo Antunes, detesto, se aquilo é um escritor. Porque diz o que lhe passa pela mona, lemos páginas e páginas sem saber o que é que ele quer dizer”.
Partilho da opinião de Henrique Neto. É que, tendo, por diversas vezes, tentado ler alguns dos livros da autoria de António Lobo Antunes, nunca consegui sequer chegar a meio de nenhum deles. Não percebo o que ele diz. Do livro recentemente publicado (“Sôbolos Rios Que Vão”), apesar de, através de vários artigos que li sobre ele, até pensar que conhecia o essencial da história, não consegui, ainda assim, perceber o que está escrito nas cerca de 30 páginas que li. E eu que pensava que, depois de ter lido e percebido grande parte da matéria da famosa “Sebenta Velha”, conseguiria perceber qualquer escrita! Bem me enganei. Mas, se até quem, como Henrique Neto, que percebe de tantas coisas (v.g., de políticos e de políticas) não consegue perceber o que escreve António Lobo Antunes, sinto-me muito mais confortado. Mas que estranho conforto!
Bom dia, Jama.
ResponderEliminarQuem sou eu para emitir juízos de valor sobre a capacidade de ALA de dizer coisas com as palavras?! Sabe, entendo que aquilo que as palavras dizem, venham elas de quem vierem, apenas dizem a mensagem que o receptor quiser receber. Li recentemente, pela segunda vez, o Manual dos Inquisidores e asseguro-lhe que à segunda as palavras lidas disseram outras coisas que não à primeira. Discordo de Henrique Neto quando diz que "as palavras têm que dizer aquilo que são" porque entendo que apenas dizem aquilo que o leitor entende que dizem. Confesso que ALA não é dos meus autores preferidos mas para quem gosta de ler Saramago lê na perfeição António Lobo Antunes.
Obrigado, Blimunda. Vou tentar ler o Manual dos Inquisidores. Ando a ler um livro sobre regressão (Brian Weiss). Nunca sequer tinha ouvido falar de tal coisa. Tem notícias da Saphou?
ResponderEliminarO "Manual" também não é fácil de ler mas eu gostei de o ler. Desta segunda vez. Da primeira nem tanto. Era mais nova.
ResponderEliminarSim, a Saphou está bem, apenas um bocado cansada de tudo - blogues incluidos - como todos nós, aliás. Um bom fim-de-semana para si.