sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Secretária de negócios"

O empresário dava voltas e voltas no colchão (que comprara na Holanda pela módica quantia de € 15.000,00, depois de, no meio de muita publicidade às respectivas vantagens terapêuticas, lhe terem garantido que era num dessa marca que dormia um famoso banqueiro português), sem conseguir dormir. O seu problema era escolher a pessoa que iria ocupar o cargo de secretária na empresa. É que lhe tinham aparecido duas candidatas para o lugar, e, se uma servia perfeitamente a função, a outra, embora nem sequer soubesse o que era um teclado de computador, e muito menos articular uma pequena frase sem que a meio se desmanchasse num sorrisinho maroto e evidenciasse os seus melhores atributos físicos, era mesmo o que ele tinha em vista para o acompanhar nas suas viagens de negócios. Como o travesseiro da cama não lhe dava conselhos, mudou para o sofá e, poucos minutos depois, eureka! Iria admitir as duas pelo preço de uma. Estava a pensar pagar € 1.000,00 à secretária que viesse a admitir, mas iria explicar às duas que nenhuma delas tinha qualidades para, só por si, desempenhar as complexas funções que o exercício daquela categoria profissional implicava, e, por isso, a solução seria admitir as duas por aqueles € 1.000,00, pagando € 500,00 a cada uma. Uma ficaria com a categoria profissional de “secretária interna” e a outra com a categoria profissional de “secretária de negócios”. As duas candidatas aceitaram de imediato a proposta, e, logo no dia seguinte, começaram a trabalhar. Decorridos 30 dias sobre a data em que foram admitidas, a “secretária interna” entregou, em mão, à “secretária de negócios” uma carta através da qual o empresário lhe comunicava que o contrato de trabalho cessava nessa data, por denúncia, no decurso do respectivo prazo experimental. Em resposta, a “secretária de negócios” deixou na secretária do empresário um bilhete em que escrevera o seguinte:
- “Fui usada mas isto não fica assim. Vou pá televisão”.
Ao ler o bilhete, o empresário disse à “secretária interna” que continuaria ao serviço por muitos anos:
- “Estás a ver como é que as pessoas nesta empresa sobem depressa na vida? A tua colega só cá trabalhou um mês e já vai para a televisão!”.
No dia seguinte, a “secretária de negócios” apresentou-se na empresa e disse ao empresário que queria saber dos seus direitos. O empresário respondeu-lhe:
- “Sim senhora! Queres saber dos teus direitos. Então vais à morada que te vou escrever neste papel, e aí dão-te os teus direitos.”
A trabalhadora despedida dirigiu-se a essa morada, e, para seu espanto, era onde funcionava a então designada Inspecção Geral do Trabalho. Ligou de imediato ao empregador e perguntou-lhe:
- Olhe lá, bocê está a brincar comigo!?;
- “Não, pequena, então não querias saber dos teus direitos? É aí que tos dão, estás no sítio certo, pede os teus direitos que eles dão-tos todos, e até tos escrevem num papel”, respondeu-lhe o empresário.
Mais uma secretária enganada, tal qual a da letra da canção “Anúncio de Jornal”, interpretada por Júlia Graziela.

2 comentários:

  1. Há séculos que não ouvia isto. A música que, infelizmente, dessas histórias ouvessem mais do que deveria ser permitido por lei.

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