Acho que um dos maiores riscos do direito de opinião política, mesmo quando ele é exercido dentro dos limites legais, é poder causar o caos nas mentes, a ponto de, v.g., ninguém acreditar que outrem é capaz de fazer o que quer que seja em favor do bem comum. A força da opinião deveria estar na sua veracidade. Mas, em vez disso, não raras vezes, está mais na personalidade de quem a emite e no sensacionalismo da mesma. Em tempos de prosperidade (seja ela económica, política ou social), a actividade de opinar é bastante difícil, e só conseguem exercê-la os realmente competentes. Pelo contrário, em tempos de crise, os “opinadores” profissionais surgem como cogumelos, e, parecendo temer-se uns aos outros, opinam todos na mesma direcção. Por exemplo, se escolhem um ministro como alvo das suas opiniões negativas, transmitem dele uma ideia tão má que, mesmo os cidadãos medianamente informados, são capazes de jurar ter provas de que uma determinada pessoa é incompetente, e só dão conta do erro em que incorrem quando lhes perguntamos pelos factos que pretendem demonstrar com essas alegadas provas (é que dizer que alguém é incompetente não é um facto mas uma conclusão). Toda esta prosa para dizer que os “opinadores” profissionais escolheram, desta feita, como alvo o Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. Tudo serve para o vexar e, alegadamente, demonstrar a sua incompetência, incluindo, pasme-se, o facto de ele, antes de ser ministro, ser docente numa universidade canadiana. Posto isto, acho que uma das formas de fazer com que os ditos dos“opinadores” entrem nas nossas mentes seria inserir nelas a seguinte palavra passe, para aceitação de uma opinião como válida: “onde estão os factos e a prova dos mesmos?”. Se, após a opinião ter sido testada por esta palavra passe não restar nada (isto é, nem um facto, nem uma prova), a opinião nem sequer entra na mente. É que, se assim não for, em lugar de ver programas televisivos ditos de opinião, será mais saudável ver outro tipo de programas (como, por exemplo, "o Peso Pesado").
Por exemplo, enquanto escrevo este post, só porque tenho o comando da TV demasiado longe, vou ouvindo o Fernando Rosas e o Pedro Santana Lopes a tentarem falar sobre o caso “Jerónimo Martins”. Estou convicto de que nenhum percebeu o que está em questão, e muito menos no seu aspecto técnico. Pergunto a mim mesmo: porque é que, antes de irem para a TV, não se inteiraram devidamente da matéria de que iriam falar?! O Fernando Rosas garante que, no caso, há uma "fuga ao fisco". Não o vi foi assentar essa conclusão em qualquer facto. Aliás, fiquei convicto de que ele não conhece sequer o regime fiscal das SGPS.
Temos, pois, de ter muito cuidado com os "opinadores".
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