
Sobre a data em que foi tirada esta fotografia, decorreram, num instante, 30 anos. Entre muitos franceses, encontram-se dois portugueses: eu e o Sérgio Sousa. Nunca mais o vi desde que, numa manhã gélida de Outubro, me despedi dele na estação de caminhos-de-ferro de Sierre, na Suíça. Ele tinha decidido voltar a Portugal para continuar os estudos. Conheci-o algures na Suíça, sentado à porta de um restaurante onde eu nesse dia fui almoçar. Comi, pela primeira e única vez, caracóis, porque era o prato mais barato que constava na ementa, e não me apercebi do que estava a pedir. Estávamos em Julho. Dei-lhe o endereço do meu primo Zé Manuel, que, em Setembro, tinha ficado de me arranjar trabalho nas vindimas, em França. Em princípios de Setembro, estava em “tournée” por Montbéliard, com o Vasco e com o José António (dois músicos que conheci em Geneve no dia de folga do meu trabalho, na restauração, como “Garçon”), liguei para o meu primo a perguntar quando começavam as vindimas, e, para minha surpresa, disse-me que já estava lá em casa dele o meu amigo Sérgio. Como é óbvio, nessa altura eu já mal me lembrava do Sérgio. Por seu turno, o Sérgio tinha lá aparecido como derradeira oportunidade para ter um prato de comida e um local para dormir que não fossem estações de caminho-de-ferro encerradas, pois nunca acreditara verdadeiramente que alguém que acabara de conhecer lhe desse assim uma morada que realmente existisse, e em que foi acolhido da forma que o foi. As vindimas na França acabaram, e partimos para a Suíça, onde as vindimas começavam um pouco mais tarde. O Sérgio dizia-me que o dono de uma cooperativa vinícola, em Agosto do ano anterior, lhe tinha dito que era capaz de lhe arranjar trabalho nas vindimas, em finais de Setembro. No dizer do Sérgio, ele não se lembraria que essa promessa tinha sido feita no ano anterior, e, dessa forma, com alguma sorte, poderíamos arranjar trabalho. Depois de uns dois dias à boleia, chegámos a Sierre num domingo à noite. Dirigimo-nos de imediato à casa do dono da cooperativa. Atendeu-nos a empregada, uma porto-riquenha cheia de simpatia e graciosidade. Dissemos-lhe que éramos dois vindimadores profissionais de alto gabarito, e que tínhamos vindo de propósito de França para cumprirmos a nossa função. Mas a porto-riquenha respondeu-nos que o patrão estava a descansar, e que por nada deste mundo o acordaria. Enquanto eu falava com ela, o Sérgio foi subindo pelas caleiras do prédio até ao primeiro andar, e espreitou para uma divisão que tinha uma luz acesa.
- “O gajo está a dormir debaixo do colchão”, disse-me o Sérgio, que ainda não conhecia os edredons (nem ele, nem eu).
Vendo o nosso desalento, a simpática da porto-riquenha disse-nos para irmos dormir ao hotel e para voltarmos no dia seguinte. Respondemos-lhe que não tínhamos dinheiro para dormir no hotel, e ela, sem lhe pedirmos nada, deu-nos 40 francos a cada um. Naquela altura um franco Suíço valia cerca de 40$00, e o salário mínimo nacional em Portugal andaria pelos 11.000$00. Ficámos felizes da vida. Nessa noite dormimos num hotel, mas clandestinos. Um cozinheiro, que era português e amigo do Sérgio, o Joel, arranjou maneira de nos juntar a mais três portugueses que, igualmente de forma clandestina, dormiam no quarto dele.
No dia seguinte, bem cedo, esperámos pela chegada do patrão da cooperativa no seu local de trabalho. Não é que ele disse ao Sérgio que não o conhecia de lado nenhum?! Que antipatia e falta de hospitalidade.
Bem, toda esta conversa para dizer que eu gostaria de encontrar o Sérgio Sousa, que, há 30 anos, andava no 2º ano de engenharia mecânica, em Lisboa, e dizia-me que o pai tinha um programa na rádio que se chamava “Ginástica Pausa”(!?). Pode ser que, tropeçando neste post, se identifique na foto. É como encontrar agulha num palheiro, mas nunca se sabe. Permitam-me uma pergunta: onde estão, na foto, os 2 portugueses?
Tambem eu gostaria de trabalhar em França na apanha de fruta diversa (vindima, pera, maça, cereja, astanha, laranja, tanja, tangerina, azeitona entre outros) plantação e apanha de produtos horticulas (couve, brocuos, batata, tomate, pimentos, pepinos entre outros)
ResponderEliminarSaiento que ainda faço trabalhos de poda, limpeza de arvores, terrenos badios e agrarios
Meus contactos são o e-nail trabalho.sanzonal@hotmail.com e o telemovel 915664622