domingo, 25 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O melhor trecho que li na imprensa do fds
Miguel Sousa Tavares, no final da crónica publicada na edição do jornal "Expresso" de 10/11/2012 (Primeiro Caderno, pág. 07), refere o seguinte:
«/…/ Por estes
dias, ao ouvir falar os socialistas, dei-me conta de que não aprenderam muito
com a queda do seu governo e com este ano e meio de oposição. Repetem a mesma
estratégia de sempre, convencidos que esta é a mesma situação de sempre: que se
trata do eterno jogo da alternância entre eles e o PSD. Não perceberam que
alguma coisa de fundamental mudou na forma como a parte produtiva do país olha
e pensa em tudo isto. Por pior que seja a opinião sobre o governo Passos
Coelho, não há, entre os portugueses, nenhuma pressa ou desejo intenso em vê-lo
substituído por um António José Seguro: acreditem que não há. Não se trata já
de mudar a maioria ou o primeiro-ministro, mas sim de mudar a forma de fazer
política e forma de governar Portugal».
Efectivamente,
por mais que alguns pensem contrário (e tentem, por todos os meios, que outros
também pensem como eles), não temos "pressa ou desejo intenso" de
mudança para um governo PS. Aliás, mesmo nas alturas de maior desânimo com as
políticas deste governo, algumas das intervenções do Zorrinho e do Galamba, são
bastantes, só por si, para nos fazerem chegar à conclusão a que chegou o MST.
domingo, 11 de novembro de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Ainda a propósito das distinções honoríficas
Este ano, por vários órgãos do poder político, foram atribuídas mais medalhas. Talvez por tantas já terem sido atribuídas, ou então por não concordarem, ou sequer compreenderem, os critérios da respectiva atribuição, há quem diga que "ser distinto é não ser distinguido" com nenhuma medalha. Há até quem, porventura por se sentir como potencialmente “medalhável”, antecipando-se a uma eventual distinção, anuncie publicamente que não aceitará a atribuição de qualquer medalha. Pelo menos, relativamente a esses, os órgãos do poder político que atribuem essas medalhas, já sabem com o que contam, e, dessa forma, podem evitar o incómodo de verem a medalha ser-lhes devolvida, como aconteceu àquele Município que, tendo atribuído uma medalha de mérito a um MI Cidadão, a viu devolvida acompanhada de um singelo “recado”: de que não se atribuíam distinções honoríficas a quem só tinha feito o que qualquer normal cidadão faria. Ora, será que algum dos medalhados fez mais do que aquilo que fez qualquer normal cidadão? Mais do que para os responsáveis pela atribuição das distinções honoríficas, a pergunta fica para aqueles que com elas são agraciados. Como já referi noutro post, do ponto de vista humano, o direito que alguns dos órgãos do poder político têm de atribuir distinções honoríficas suscita-me as maiores reservas. É que, por cada ser que é agraciado por esses órgãos, muitos outros serão (ou, pelo menos, se sentirão) “desagraciados”. Será justo e correcto agraciar alguns à custa de todos? Mais uma vez, parece-me que não.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Disciplinas equiparadas a licenciaturas
O próprio nome daquela disciplina do 4º ano da licenciatura causava-nos
calafrios desde o 1º ano. O temor era tanto que, alguns dos melhores alunos, só
se atreviam a “tocar-lhe” quando já tinham concluído todas as demais
disciplinas da licenciatura (que, antes de ter sido “cozinhada à bolonhesa”,
era de 5 anos). Por vezes, saía uma notícia animadora: um aluno tinha tirado 10
valores, logo na primeira vez que a tinha tentado fazer. Os elementos de estudo
eram escassos, a ponto de as provas orais serem uma das principais fontes de
aprendizagem, quer para os examinados quer para os demais alunos que a alas
assistiam. Sim, porque aquele professor nunca fazia orais sem assistência, nem
que tivesse de chamar os archeiros. Mas, geralmente, as orais eram assistidas
por dezenas de alunos, que ocupavam todas as filas de bancos da sala, com
excepção do da frente, que estava reservado ao examinado. Em jeito de
“aquecimento”, o professor começava por lhe perguntar: “o que são coisas móveis?”. Se o aluno não respondesse prontamente,
o professor logo o esclarecia de que coisas móveis são aquelas que não são imóveis, e, de imediato, atirava-lhe com a
pergunta seguinte: “o que são coisas
imóveis?”. O aluno, espantado com a facilidade da resposta à primeira
questão, penitenciando-se por não ter sabido responder a uma questão tão
simples, respondia a esta última com toda a segurança: “coisas imóveis, são aquelas que não são móveis”. O professor admoestava
então o aluno por, mais uma vez, ter errado, e por, além do mais, ter caído na
patetice de, para dar tal resposta, ter aplicado o critério de que “tudo o que não
é boi é vaca”, e dizia-lhe que, embora as coisas móveis fossem aquelas que não
eram imóveis, as coisas imóveis eram as referidas no art. 204º, nº 1, alínea a), do Código Civil.
Se o aluno fosse caloiro na disciplina, porventura a oral ficaria por aqui. Se
já fosse veterano, tinha direito a outra pergunta, que poderia ser a seguinte:
“o senhor acha que a energia eléctrica é um bem corpóreo ou incorpóreo?”. Se o
aluno dissesse que era incorpóreo, o professor dizia-lhe: “se o senhor metesse
ali os dedos ali naquela ficha eléctrica, talvez mudasse de opinião”. Se o
aluno conseguisse passar esta primeira fase, seguia-se um caso prático, do tipo:
Alberto vendeu um imóvel a Bernardo, que o vendeu a Carlos, que, depois de o ter
dado de usufruto a Dário, o vendeu a Eduardo que, depois de sobre ele ter
constituído uma servidão de passagem a favor de Fernando, o vendeu a Germano, etc.,
etc., até chegar a um ponto em que Xavier reivindica de Zebrino o imóvel que
Alberto vendera a Bernardo, mas só registara a acção decorridos quatro após essa
venda. Todos escreviam o caso prático: o examinado, o professor e os alunos que
assistiam à oral. Por dezenas vezes terem tentado obter aprovação na disciplina
e não o terem conseguido, alguns alunos perdiam o porte. Muitos alunos
perpetuavam a sua condição de estudantes universitários, apenas à custa dessa disciplina
a que reprovavam ano após ano. Alguns, depois de várias reprovações, desistiam
dessa licenciatura, tiravam outra, e, passados anos, pediam reingresso no curso
para tentarem fazer a cadeira: uns conseguiam, mas, para outros, o martírio
mantinha-se. Lembro-me sempre do caso daquele aluno que, quando andava por ali
à espera de pudesse submeter-se novamente a exame daquela única disciplina que lhe
faltava para acabar o curso, se suicidou. Como é óbvio, ninguém acreditou que o
motivo do suicídio fosse a reprovação, mas todos pensámos que, se ele tivesse
passado, as circunstâncias que levaram a esse desfecho trágico não teriam
ocorrido.
Decorridos uns anos, numa outra universidade, vi um professor
manifestar a sua indignação perante um colega seu, por, segundo lera na
imprensa, 900 alunos terem a licenciatura pendente de disciplinas ministradas
por aquele exigente professor. Porém, a resposta que colheu deste último ainda
o deixou mais surpreendido: “pois é, colega, ele tem 900 alunos em várias
disciplinas, mas nesta licenciatura há 1200 alunos a quem só falta a disciplina
que eu lecciono, conforme pode comprovar por estas 40 pautas, cada uma com 30
alunos”, ao mesmo tempo que lhe ia passando para as mãos as 40 pautas. Ao ouvir
isto, o professor que foi apanhado de surpresa – por verificar que este ainda
era mais exigente do que o outro –, só dizia repetidamente: “40 pautas, cada
uma com 30 alunos! 40 pautas, cada uma com 30 alunos!”. Vendo o seu incómodo,
aquele professor deu uma pancada nas costas do colega, e, para lhe mostrar que não
tinha ficado zangado com ele, foi-lhe dizendo: “ainda me dá boleia para casa, não dá?
Sabe que alguns vêm fazer isto só por fazer. Até aí temos um aluno que já foi
ministro”.
Posto isto, tendo em consideração o lastro de matérias abrangidas por
essas disciplinas, bem como a exigência e rigor com que eram leccionadas, causaria alguma surpresa
que elas fossem equiparadas a determinadas licenciaturas?! Não me parece.
sábado, 7 de julho de 2012
FCE – Época de 1981/1982 (a descida de divisão)
Na época de 1981/1982, o FCE
desceu de divisão, apesar de, a meio dessa época, ter passado a contar com dois
jogadores "de fora" (no sentido de que não eram de US) de muita
qualidade: o Fazenda e o Juanito. Eram os únicos jogadores do plantel que eram remunerados.
Todavia, eles só foram admitidos na equipa depois de terem sido ouvidos todos
os jogadores (numa reunião no “saudoso” parque infantil). Era uma Direcção
democrática, e, sendo o treinador uma pessoa muito responsável, justa e
honesta, logo fez questão de esclarecer que só aceitaria que aqueles dois
jogadores viessem a integrar o plantel, se a maioria dos jogadores que dele já
faziam parte assim o entendesse. Fui o único a votar contra a contratação desses
dois jogadores, pelas razões que então expus, e que, em suma, foram as
seguintes. Perguntei à Direcção porque não tínhamos iluminação bastante para
treinarmos à noite na totalidade do campo (só tínhamos iluminação na parte Sul,
e, ainda assim, bastante deficiente, com apenas um holofote em cada poste), e
responderam-me que era por falta de dinheiro. Perguntei então quanto custariam
os novos jogadores, e, depois de verificar que o iríamos pagar a esses
jogadores era equivalente ao valor do custo da iluminação (cerca de 25 contos),
e não estava garantido que a contratação desses jogadores assegurasse a
manutenção do FCE na 1ª divisão do distrital, votei contra. No entanto, aceitei
e respeitei a vontade da esmagadora maioria. No final da época descemos mesmo
de divisão (chegámos a perder com o Sertanense em casa por 4-5, depois de, ao
intervalo, termos estado a ganhar por 4-0!). O Tony Quintela disse-me então que
eu tinha razão, pois deveríamos ter gastado o dinheiro na iluminação. Mas não!
O prazer de termos jogado com aqueles dois grandes jogadores (sobretudo com o
Fazenda, que tinha sido um dos melhores jogadores do SCC na década de 70),
superou bem um ou dois anos de atraso na iluminação. Agradeço, pois, a todos os
meus colegas que, nessa votação, olharam a realidade de uma forma colorida e
emotiva, e não da forma racional e cinzenta (quiçá realista, infelizmente) como
eu a representei, e deram a todos a alegria de termos jogado, na mesma equipa,
com aqueles dois grandes jogadores. Aliás, − e lá vem a desculpa habitual!!! −
todos sabemos que só descemos de divisão porque, a meio da época, ficámos sem o
Manuel Fernandes, que (tal como já sucedera com o Jorge, com o Eugénio, com o Américo Barrau e com o
João Lagos) emigrou para a Suíça. No dia em que o Manuel, no carro do Jorge, seguia
para a Suíça, fui com eles, de boleia, de US até à Covilhã. Quando me despedi
do Manuel, as palavras dele foram estas: “vejam lá, não deixem descer a
equipa”. Mas, infelizmente, nem com a ajuda daqueles dois jogadores “de fora”
conseguimos evitar a descida. Fico grato a quem guardou e publicou a fotografia
supra no facebook, e a quem nela me identificou. Como não vejo grande
parte daqueles que nela estão retractados desde a altura em que a mesma foi
tirada, é bom olhar para ela e sentir que o tempo não passou, e que a única
coisa que a todos preocupa é que, na próxima época, temos de subir de divisão,
e, como é óbvio, sem jogadores “de fora”!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


